Coma chuva do fim da tarde de ontem, carros envolvidos em colisões fizeram fila no meio-fio do acesso da Avenida das Nações à Ponte JK. Especialista acredita em erro de projeto
Pelo menos 10 carros rodaram no fim da tarde de ontem, na curva da pista que dá acesso à Ponte JK para quem trafega na Avenida das Nações, sentido norte-sul. Desses, sete precisaram de socorro mecânico. Outros três motoristas, segundo testemunhas, perderam o controle, mas seguiram viagem. A pista molhada por conta da chuva deixou a curva, muito fechada, ainda mais perigosa. A chuva e os acidentes provocaram a interdição da via por pelo menos uma hora. O trânsito foi liberado depois que parou de chover.De acordo com bombeiros e policiais militares que atenderam as ocorrências, os acidentes são comuns no local.
A primeira batida ontem ocorreu por volta das 17h15. O servidor público Ivan Batista, 50 anos, morador do Lago Sul, voltava para casa quando tomou um susto ao não conseguir frear o carro, que subiu o meio-fio e teve a suspensão danificada. Foi a segunda vez emmenos de um ano que ele bateu o veículo na mesma curva. "Tem alguma coisa errada aqui. E não é imprudência dos motoristas, não. Eu, por exemplo, estava a menos de 30km/h", contou.
Enquanto esperava o guincho, Batista assistiu a outros seis acidentes parecidos com o seu.
"Foi um atrás do outro. Se não fizerem nada, as batidas vão continuar acontecendo aqui, principalmente quando chove", afirmou. A situação mais grave foi a do garçom Alexandre Barbosa, 25 anos, que retornava para casa, em São Sebastião, depois de ter trabalhado no feriado.
"Aqui não é uma questão de velocidade. A curva é mal feita", criticou. O carro dele só parou na parede do viaduto, onde marcas de pneus confirmam a frequência dos acidentes.
Barbosa sofreu um corte na mão esquerda, mas precisou apenas de curativos. Três carros do Corpo de Bombeiros foram até o local. Ninguém se feriu com gravidade. A pista ficou pequena para tantos guinchos.
Alguns motoristas trocaramos pneus do carro embaixo de chuva. Todos eram unânimes ao reclamar do desenho da curva e sustentar que não dirigiam em alta velocidade. A avaliação dos motoristas - confirmada por um especialista ouvido pelo Correio (leia a Palavra de especialista) - é que há uma falha de engenharia de trânsito no local.
Em agosto do ano passado, um caminhão dos bombeiros tombou no mesmo lugar. Não chovia no momento do acidente.
"Todo mundo sabe que as ocorrências aqui são frequentes, os números oficiais existem, mas ninguém faz nada", disse um sargento do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) que não quis ser identificado.
Os militares que registraram as ocorrências de ontem descartaram a presença de óleo ou qualquer outro produto químico na pista. A interdição causou engarrafamento no retorno em frente à sede da Procuradoria Geral da República (PGR) - o acesso à Ponte JK mais próximo dali.
Palavra de especialista
Correção seria tarefa fácil
"Há um problema claro e perceptível de engenharia naquela curva. A falha principal é de geometria. O raio de curvatura ali não é o correto.O motorista entra numa velocidade e de repente a curva fecha para a esquerda.
A segunda falha se refere à inclinação, que também não está correta. Outro agravante é que o asfalto ali é de péssima qualidade. Quando chove, fica realmente complicado.
Com um pouquinho de vontade política e poucos mil reais, o Estado consegue resolver o problema da curva. Uma obra simples é capaz de corrigir as falhas. Basta mexer no escoamento da água e na textura do asfalto. Insisto: se quiser, o Estado resolve e evita acidentes."